   

{"id":2702,"date":"2022-04-10T11:48:11","date_gmt":"2022-04-10T14:48:11","guid":{"rendered":"https:\/\/revistavocemais.com.br\/?p=2702"},"modified":"2022-04-10T11:48:12","modified_gmt":"2022-04-10T14:48:12","slug":"loucura-passando-esse-conceito-a-limpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistavocemais.com.br\/index.php\/2022\/04\/10\/loucura-passando-esse-conceito-a-limpo\/","title":{"rendered":"Loucura, passando esse conceito a limpo"},"content":{"rendered":"\n<p>Sempre tive vontade de falar sobre o tema. O que me travava<strong><em>, <\/em><\/strong>eram os princ\u00edpios acad\u00eamicos e as teses cient\u00edficas que costumam patentear as coisas da mente. Complexo por natureza, o comportamento humano \u00e9 alvo de observa\u00e7\u00f5es permanentes&#8230; pelos outros. Sim, porque do nosso ponto de vista o mundo tem seu epicentro em n\u00f3s mesmos. Par\u00e2metros, modelos, refer\u00eancias? Mirem-se em n\u00f3s, pobres mortais, e vejam refletidos na placidez das \u00e1guas do nosso lago o mundo perfeito, pronto e acabado, com nada a ser emendado ou retificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejo a coisa funcionando assim. L\u00e1 atr\u00e1s, na noite do tempo, algum luminar estabeleceu e seguidores do seu pensamento se multiplicaram na defini\u00e7\u00e3o de uma \u201cmodelagem perfeita que bem definisse o que \u00e9 certo ou errado nas a\u00e7\u00f5es humanas\u201d: tudo que est\u00e1 neste pacote de conceitos \u00e9 o padr\u00e3o, est\u00e1 certo, \u00e9 o que deve ser feito em termos de comportamento das pessoas. Estava criado ali o \u201cprinc\u00edpio imut\u00e1vel da normalidade do comportamento\u201d. E o que ficasse fora desse balaio conceitual, n\u00e3o importando o que ou o porqu\u00ea, passaria a constar do <em>\u00cdndex <\/em>(escrito com mai\u00fascula, porque essa express\u00e3o refere-se ao elenco dos livros cuja leitura a Igreja considera perigosa e\/ou inoportuna quanto \u00e0 moral e a doutrina, diz-nos o Google). No caso presente, estaria inclu\u00eddo no<em> \u00cdndex <\/em>n\u00e3o a leitura de livros condenados pela Igreja, mas comportamentos humanos que fugissem \u00e0 rigorosa conceitua\u00e7\u00e3o dos luminares de antanho, citados no in\u00edcio do par\u00e1grafo.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, se quis\u00e9ssemos sublimar, o que \u00e9 considerado loucura: atitudes em si ou o contexto em que elas estariam inseridas? Bem \u00e0 nossa m\u00e3o, est\u00e1 a figura emblem\u00e1tica, cultural e ancestral do teatro. Pessoas estudam artes c\u00eanicas, formam grupos, re\u00fanem-se em palcos, via-de-regra cobram ingressos e multid\u00f5es afluem seguidamente ali para aplaudir representa\u00e7\u00f5es emolduradas pela ribalta. E o que se v\u00ea em cena? A representa\u00e7\u00e3o do faz de conta, protagonizada por artistas, cada um encarnando um personagem e encenando mir\u00edades de cenas iconogr\u00e1ficas que encantam a plateia. Mas, desvinculado do contexto, como dissemos acima, n\u00e3o estaria ali uma aglomera\u00e7\u00e3o de malucos esfor\u00e7ando-se ao m\u00e1ximo para dar o m\u00e1ximo de realismo ao que de pura encena\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa? Fosse, por exemplo, a <em>troupe <\/em>para a rua, sem a aura e os holofotes do teatro, ao sol do meio dia, e repetisse os mesmos trejeitos e salamaleques, n\u00e3o seriam todos taxados de loucos varridos e recomendados \u00e0 interna\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica? Sim, porque a arte fora do contexto n\u00e3o passa de loucura pura e simples.<\/p>\n\n\n\n<p>Penso que com as pessoas, isoladamente, a coisa funciona mais ou menos assim. Quem quer que proceda medianamente fora dos padr\u00f5es de comportamento estabelecidos, \u00e9 considerado descontextualizado e a plaqueta de \u201clouco\u201d \u00e9-lhe imediatamente afixada ao pesco\u00e7o. Sem apela\u00e7\u00e3o ou direito de defesa! \u00c9 o que diz o rigoroso protocolo do conv\u00edvio social.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, na contram\u00e3o dos inflex\u00edveis conceitos sociais, tenho, cada dia mais, reavaliado o conceito de loucura. Na nova formata\u00e7\u00e3o da minha linha de pensamento, n\u00e3o mais analiso atitudes ou a\u00e7\u00f5es isoladamente. Ao contr\u00e1rio, procuro sempre contextualiz\u00e1-las. Componentes que tenho usado para minha nova f\u00f3rmula: o que motivou uma pessoa a tomar determinada atitude? No decorrer da a\u00e7\u00e3o quais flu\u00eddos foram produzidos? Os resultados obtidos foram bons ou ruins? Algu\u00e9m ou alguma coisa foi beneficiada?<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, posiciono-me.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive procurando desentrela\u00e7ar as t\u00eanues diferen\u00e7as que diferenciam o louco do mau car\u00e1ter.<\/p>\n<div class='watch-action'><div class='watch-position align-left'><div class='action-like'><a class='lbg-style1 like-2702 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='like' data-post_id='2702' data-nonce='60ba9dd616' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/revistavocemais.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Like' \/><span class='lc-2702 lc'>0<\/span><\/a><\/div><\/div> <div class='status-2702 status align-left'><\/div><\/div><div class='wti-clear'><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre tive vontade de falar sobre o tema. O que me travava, eram os princ\u00edpios acad\u00eamicos e as teses cient\u00edficas que costumam patentear as coisas da mente. 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