   

{"id":1096,"date":"2021-07-16T11:55:13","date_gmt":"2021-07-16T14:55:13","guid":{"rendered":"https:\/\/revistavocemais.com.br\/?p=1096"},"modified":"2021-08-25T11:42:43","modified_gmt":"2021-08-25T14:42:43","slug":"marataizes-ida-e-volta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistavocemais.com.br\/index.php\/2021\/07\/16\/marataizes-ida-e-volta\/","title":{"rendered":"Marata\u00edzes &#8211; ida e volta"},"content":{"rendered":"\n<p>REVISITANDO O CACHOEIRO ANTIGO<\/p>\n\n\n\n<p>Em Cachoeiro, o passeio caracter\u00edstico, aos domingos, era uma excurs\u00e3o \u00e0 praia de Marata\u00edzes. <\/p>\n\n\n\n<p>A Estrada de Ferro Itapemirim estabelecia hor\u00e1rios de ver\u00e3o e concedia passagem de ida e volta a pre\u00e7o popular.  Ao atender ao grande n\u00famero de excursionistas, a Estrada ajuntava carros de passageiros, g\u00f4ndolas e vag\u00f5es, para formar a composi\u00e7\u00e3o. Todos ficavam superlotados, inclusive, muitos passageiros, os mais ousados, viajavam sobre a cobertura dos carros ou agarrados, de qualquer maneira, no truque da m\u00e1quina. <\/p>\n\n\n\n<p>O desejo de cada um era ir a Marata\u00edzes, gente de todos os n\u00edveis sociais experimentavam a alegria radiosa e a gratid\u00e3o, quando o domingo vinha chegando ensolarado. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"961\" height=\"379\" src=\"https:\/\/revistavocemais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/tremmarataizesv3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1108\" srcset=\"https:\/\/revistavocemais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/tremmarataizesv3.jpg 961w, https:\/\/revistavocemais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/tremmarataizesv3-300x118.jpg 300w, https:\/\/revistavocemais.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/tremmarataizesv3-768x303.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 961px) 100vw, 961px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:54px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>E, \u00e0s 6 horas da manh\u00e3, partia o trem da esta\u00e7\u00e3o, localizada na Pra\u00e7a Jo\u00e3o Pessoa (hoje Pedro Cuevas)*. Vibravam todos passageiros, a grande euforia, o vozerio, o contentamento pela oportunidade de pegar o banho de mar, sentir o<br>vento iodado e, \u00e0 tarde, o retorno, queimados pelo sol.<br><br>Uma vez, em 1932, participamos de uma dessas excurs\u00f5es. O trenzinho entrou em marcha e suportava a carga pesada. Desde o momento da sa\u00edda, a algazarra era tremenda. Houve uma r\u00e1pida parada na esta\u00e7\u00e3o de Bahia e Minas, por isso estourou a gritaria de protestos, pois ningu\u00e9m queria perder tempo. Outra parada na esta\u00e7\u00e3o da Safra \u2013 cafezinho, past\u00e9is, banana cozida \u2013 o corre-corre, a confus\u00e3o apressada, os vendedores embara\u00e7ados. Mais meia hora, o trenzinho j\u00e1 viajava dentro dos canaviais. O maquinista euf\u00f3rico acionava o apito, e a composi\u00e7\u00e3o caminhava como enorme serpente, pelas baixadas do Itapemirim.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegada em Paineiras \u2013 cafezinho, banana cozida, past\u00e9is e leite- queimado \u2013 a invas\u00e3o desordenada das pessoas. 5 minutos o sinal de partida, o alvoro\u00e7o, o corre-corre, gente que comeu, gente que n\u00e3o tomou caf\u00e9, gente que nada comeu, gente que nada pagou, rapidamente estavam todos embarcados, os pensamentos estavam fixos na praia e nas ondas frias do mar. Novamente o apito j\u00e1 ao longo do canavial. <\/p>\n\n\n\n<p>A maquinazinha, arrastando a carga humana, vai passando por uma turma de trabalhadores no corte de cana. No trem a gritaria explodiu: \u201ctabar\u00e9us\u201d, \u201cp\u00e9s-duros\u201d, \u201cgafanhotos\u201d, \u201cmata-cobras\u201d, \u201ccasca-grossas\u201d, e outros t\u00edtulos, at\u00e9 que o trem sumiu na dist\u00e2ncia. Vem as esta\u00e7\u00f5es de Perobas, Vila de Itapemirim e Barra de Itapemirim.<br><br>Finalmente! Marata\u00edzes \u2013 9 horas. Os troca-trocas de roupa, os cuidados com a matula, a corrida para dentro do mar, que parecia tamb\u00e9m prazenteiro. Muitos jogavam bola na areia, outros compravam peixe, ab\u00f3bora (ent\u00e3o famosas), abacaxi e melancia, todos apressados, podia ser que o tempo n\u00e3o fosse bastante. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s 14 horas nova correria em busca de lugares no trem, a \u00fanica condu\u00e7\u00e3o. A partida, em cada olhar uma despedida, olhares que se convergiam para o mar, e \u00edamos perdendo de vista as praias, os barcos, a linha do horizonte. O vento<br>ficou atr\u00e1s de tudo. Com uma hora j\u00e1 est\u00e1vamos dentro dos canaviais, a m\u00e1quina avan\u00e7ava queimando lenha e parecendo cansada, os excursionistas tamb\u00e9m fadigados pelos excessos do dia. <\/p>\n\n\n\n<p>De repente os tais cortadores de cana, que se puseram de emboscada, surgiram bem pr\u00f3ximos dos carros, munidos de peda\u00e7os de bambu, convenientemente entulhados de excrementos de boi amolecido, e varejavam a torto e a direito, atingindo a todos os passageiros, principalmente os que se achavam nas g\u00f4ndolas, que eram abertas. Em poucos instantes fizeram a borra\u00e7\u00e3o, e a gente sentia o odor ainda fresco, deixado por toda a parte onde o estrume p\u00f4de penetrar.  De um lado e outro da estrada, eles estavam organizados para realizar o ataque \u2013 em seguida desapareceram pelo canavial adentro. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s 18 horas, exaustos, queimados pelo sol, j\u00e1 est\u00e1vamos no calor de Cachoeiro, nossos corpos salgados do mar, as roupas marcadas pela tempestade de estrume. Durante muito tempo aquela excurs\u00e3o ficou conhecida como a \u201dMar\u00e9 do Canavial\u201d.<br><br><em>(*) Nota da Reda\u00e7\u00e3o:<\/em> \u2026 e que hoje se chama Pracinha de Roberto Carlos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>\u201cUma cidade que n\u00e3o constr\u00f3i sua mem\u00f3ria, n\u00e3o pode ter identidade pr\u00f3pria\u201d.<\/p><cite>Professor e Historiador Manoel Gon\u00e7alves Maciel<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><br>Cr\u00e9dito ao Autor, <strong><em>Professor e Historiador Manoel Gon\u00e7alves Maciel.<\/em><\/strong><br>Publicado originalmente em seu antol\u00f3gico livro \u201dVoltando ao Cachoeiro Antigo\u201d, volume II, 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p\u00e1gina 126\/127.<br>Garimpamos e publicamos essa mat\u00e9ria na Voc\u00ea+ Digital por autoriza\u00e7\u00e3o especial da sua filha Dra. Margareth<\/p>\n<div class='watch-action'><div class='watch-position align-left'><div class='action-like'><a class='lbg-style1 like-1096 jlk' href='javascript:void(0)' data-task='like' data-post_id='1096' data-nonce='60ba9dd616' rel='nofollow'><img class='wti-pixel' src='https:\/\/revistavocemais.com.br\/wp-content\/plugins\/wti-like-post\/images\/pixel.gif' title='Like' \/><span class='lc-1096 lc'>1<\/span><\/a><\/div><\/div> <div class='status-1096 status align-left'><\/div><\/div><div class='wti-clear'><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Cachoeiro, o passeio caracter\u00edstico, aos domingos, era uma<br \/>\nexcurs\u00e3o \u00e0 praia de Marata\u00edzes. 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