Fiquei muito lisonjeada com o convite do Renato para colaborar com a Voce+. O ‘briefing’ que recebi foi que o foco da revista é Cachoeiro, e minha contribuição seria, tipo assim, através das lentes de uma cachoeirense em Londres.

Então, para começar, minhas credenciais cachoeirenses: sou Adriana, Resende da Mara, do Wilson e da Zoira, e Carvalho Brito, do Regis, do Ataliba e da Heloisa. Nascida na Santa Casa de Misericórdia, e, acredite se quiser, há quase 50 anos (eu, pessoalmente, acho inacreditável. Como assim todo esse tempo passou??)!! Estudei no Pequeno Príncipe (que acredito não existir mais) e no Guimarães Rosa. Fiz, e tenho, amigas de infância, da doce terra onde nasci, que fazem parte da minha história.

Big-Ben


Bem, agora, ‘fast forward’ para 1998. Em abril daquele ano, me mudei para Londres, para fazer uma formação em psicoterapia corporal, e nunca mais voltei para aquelas terras entre as serras. Por aqui casei com Brian, um irlandês, e tivemos Oscar, meio brasileiro, meio irlandês e nascido em Londres há quatro anos.

Trabalho como psicoterauta e adoro o que faço. Meu filho começou na escola primária esse ano, e eu e Brian achamos ele simplesmente o máximo. Meu casamento tem o elemento intercultural, que, por um lado, enriquece a relação, trazendo perspectivas e pontos de vista completamente diferentes daqueles de uma menina que nasceu e cresceu em Cachoeiro. E por outro lado, eu sinceramente acredito que o normal “trabalhar a relação” toma um espaço e umadimensão bem maiores, porque o risco é que muita coisa se perca na ‘tradução’, literal e simbolicamente.

Enfim, moro em Londres há 16 anos e adoro. Londres está bombando! O mundo inteiro está aqui – diferentes comunidades que enriquecem, se integram e fazem parte da cultura britânica e também, ao mesmo tempo, aterrorizam, ameaçam e dividem. E essas comunidades estão nas ruas, se vestindo de forma vibrante, discreta, exótica, modesta, de maneira que captura o olhar ocidental (em particular, de uma menina de Cachoeiro) com admiração, preconceito, trazendo sorrisos e medo ao ver uma africana ‘chiquerrérima’, toda colorida, de turbante e salto alto, e uma muçulmana de burca negra da cabeça aos pés.
Definitivamente, forçando-nos a ‘alongar’ nosso entendimento de outras culturas, seu significado e nossa capacidade de aceitar o ‘diferente’.


Essas comunidades também estão na rua com suas cozinhas! A culinária mundial alimenta os londrinos. O prato mais popular hoje no Reino Unido é o “curry”! E eu aprendi a amar os “curries”, especialmente os tailandeses, com capim limão, gengibre, pimenta e leite de coco.

Pub Londrino


Para finalizar, na minha resposta ao convite do Renato, disse: “Acho que pode ser uma boa ideia, fico meio insegura, tipo assim, falar de quê? Sobre ser terapeuta, de angústias existenciais, sobre ser cachoeirense em London, sobre ser apaixonada pelo meu filho, sobre ser mãe mais velha de um menino de quatro anos, de relacionamentos interculturais…”

E ele respondeu: disso tudo um pouco!

“So, that’s a beginning…”

Aos que me conhecem, olha eu aqui; aos que não me conhecem, muito prazer. E a todos, por enquanto, aquele abraço!

Adriana Rezende Carvalho Brito é psicoterapeuta corporal

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